Mais de 60 pessoas morrem em 48 horas de manifestações no Iraque | Mundo

Mais de 60 pessoas morreram nas últimas 48 horas em Bagdá e no sul do Iraque durante manifestações para pedir a queda do governo. Centenas de iraquianos tomaram as ruas da capital iraquiana neste sábado (26), desafiando novamente o gás lacrimogêneo das forças policiais.

Desde 1º de outubro, cerca de 200 pessoas morreram nos protestos, espontâneos e sem precedentes nos últimos anos. As manifestações foram interrompidas por 18 dias por ocasião da grande peregrinação xiita que acontecia no país, mas foram retomadas na sexta-feira (25).

A mobilização se voltou contra dezenas de sedes de partidos, escritórios de deputados e, especialmente, os locais de encontro dos grupos armados Hachd al-Shaabi, uma coalizão de paramilitares dominada por milícias xiitas pró-iranianas e aliadas do governo no Iraque.

Neste sábado, pessoas morreram atingidas por tiros dos guardas do chefe de segurança do Conselho Provincial de Zi Qar (sul), cuja casa foi incendiada pelos manifestantes.

Em Bagdá, manifestantes morreram quando dezenas tentaram atravessar a ponte que leva à Zona Verde. Eles teriam sido atingidos por bombas de gás lacrimogêneo e de efeito moral.

Segundo especialistas, milicianos infiltrados entre os manifestantes seriam responsáveis em parte por essa violência que teria como objetivo ajustar contas entre os grupos armados.

Entre as mais de 60 mortes, mais de 20 ocorreram em incêndios e ataques em diferentes cidades do sul do país, segundo a Comissão Governamental de Direitos Humanos e fontes médicas.

Esses protestos violentos não chegaram a Bagdá, onde os manifestantes da Praça Tahrir, perto da Zona Verde, onde estão localizados o Parlamento e a embaixada americana, dizem que seu movimento contra a classe dominante é pacífico.

Neste sábado, depois de retirar os cobertores sobre os quais dormiram nesta praça emblemática, os manifestantes voltaram a se organizar e protestar.

Todos eles são céticos quanto à vontade das autoridades de querer elaborar uma nova Constituição e renovar uma classe política corrupta, que coloca o país na 12º posição dos países mais corruptos do mundo.

Na quinta-feira (24), o primeiro-ministro Adel Abdel Mahdi solicitou que o sistema de atribuição de cargos de funcionários fosse reformado e que a idade mínima para ser candidato em um país onde 60% da população tem menos de 25 anos fosse reduzida.

“Eles disseram aos jovens: ‘Voltem para suas casas, vamos lhe dar uma pensão e encontrar soluções, mas foi uma armadilha'”, lamentou um manifestante.

O grande aiatolá Ali Sistani, a autoridade xiita mais importante do Iraque, pediu reformas e uma luta mais eficaz contra a corrupção, enquanto o líder político e religioso xiita Moqtada Sadr, que no início de outubro pediu a renúncia do governo, ameaçou levar às ruas seus milicianos.

“Sadr, Sistani… Que vergonha!”, disse um manifestante, explicando que está nas ruas “porque não tem dinheiro”. “Mas eles respondem com granadas. Basta!”

Atualmente, um em cada cinco iraquianos vive abaixo da linha de pobreza e o desemprego juvenil excede 25%, segundo dados do Banco Mundial.

Neste sábado, dezenas de jovens tentavam atravessar a ponte Yumhuriya, que leva à Zona Verde, mas foram bloqueados por gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral.

A poucos metros, os deputados discutirão durante o dia “as demandas dos manifestantes, as decisões do Conselho de Ministros e a implementação das reformas”, de acordo com a agenda publicada.

As autoridades iraquianas prometeram realizar reformas após a semana sangrenta de manifestações registradas no início deste mês.

Mas até agora, o Parlamento se viu paralisado por divisões internas e as sessões anteriores, que deveriam levar a mudanças em diferentes ministérios, foram canceladas ou adiadas devido à falta de quorum.

No sul do Iraque, os apelos a novas manifestações se misturam aos enterros das vítimas. Nesta região do país, várias sedes de partidos foram incendiadas.

“A raiva se dirige contra eles porque são a vitrine do regime”, disse a pesquisadora Harith Hasan, do Carnegie Middle East Center.

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