Saiba quem é Abu Bakr Al-Baghdadi, chefe do Estado Islâmico, morto em ação dos EUA | Mundo

Nascido na cidade de Samarra, no Iraque, em 1971 com o nome Ibrahim Awad Ibrahim Ali al Badri al Samarrai, Baghdadi trabalhou como imã durante anos, antes de se unir à resistência armada contra a ocupação americana do Iraque, em 2003.

Foi detido e encarcerado no campo de prisioneiros de Bucca, administrado pelos EUA, em 2004, antes de se reengajar na luta jihadista.

Ibrahim, o antigo orador, também conhecido como Abu Duaa, optou finalmente pelo codinome Abu Bakr al Baghdadi al Hosseini al Quraishi, em homenagem a Abu Bakr, primeiro califa após a morte de Maomé, e à tribo do profeta, Al Quraishi.

Mesmo com uma operação militar em andamento para capturar Baghdadi, os Estados Unidos ofereciam US$ 25 milhões por qualquer informação sobre ele.

As incógnitas em torno de Abu Bakr al Baghdadi, são incontáveis e aumentaram depois que ele perdeu o “califado” que proclamou em 2014 na cidade iraquiana de Mossul e que se expandia até a Síria. Baghdadi costumava publicar mensagens de áudio encorajando seus seguidores a continuarem sua chamada “guerra santa”.

Idas e vindas de Baghdadi

Dado como morto em várias ocasiões, as forças americanas tinham anunciado, em outubro de 2005, a morte de Abu Duaa – um dos pseudônimos de Baghdadi – em um ataque aéreo na fronteira com a Síria. Mas ele reapareceu em maio de 2010 à frente do Estado Islâmico no Iraque (ISI), braço iraquiano da Al-Qaeda, depois da morte de dois líderes do grupo em um ataque.

Em abril de 2013, Baghdadi anunciou uma fusão do ISI com os combatentes da Al-Nosra para formar o EI. O Estado Islâmico, no entanto, se recusou a ficar sob este comando. Os dois grupos começaram a operar separados, antes de começarem a lutar entre si a partir de janeiro de 2014 na Síria.

Segundo o jornal “The Guardian”, Baghdadi ficou gravemente ferido após um ataque aéreo no Iraque realizado pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, em abril de 2015.

Em 2014, ele apareceu pela primeira vez em um vídeo postado em sites jihadistas pedindo para que todos os muçulmanos o obedeçam.

Aparição em vídeo em 2019

Em abril deste ano, após ficar cinco anos sem aparecer, Baghdadi divulgou um vídeo de propaganda transmitido pela organização jihadista. (veja vídeo abaixo)

A data em que o vídeo foi feito não é conhecida e, como se trata de material de propaganda, sua autenticidade não pode ser verificada de forma independente. Mas a gravação, com 18 minutos de duração, faz referência aos ataques realizados em Sri Lanka, no dia 21 de abril, que foram reivindicados pelo Estado Islâmico.

Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico, aparece em vídeo

Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Estado Islâmico, aparece em vídeo

“Quanto aos seus irmãos no Sri Lanka, eles colocaram alegria nos corações dos monoteístas com suas operações de imersão que atingiram as casas dos cruzados em sua Páscoa”, disse al-Baghdadi, de acordo com uma transcrição do grupo de monitoramento SITE.

O que é o Estado Islâmico?

O grupo jihadista Estado Islâmico (EI) tinha como líder Abu Bakr al-Bagdadi, autoproclamado califa (sucessor de Maomé). O grupo foi criado a partir do braço iraquiano da Al-Qaeda, rede responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Mas os movimentos têm relações rompidas desde 2014.

Seu surgimento começou com a queda do regime de Saddam Hussein no Iraque, e o grupo voltou a crescer após a guerra civil na Síria, quando os membros do EI se juntaram aos rebeldes para lutar contra o governo de Bashar al-Assad.

Como o passar do tempo, o objetivo do EI passou a ser a conquista cada vez maior de territórios, para impor sua interpretação do islã, de uma forma considerada muito brutal até mesmo para a Al-Qaeda.

ANIMAÇÃO: Entenda o Estado Islâmico

ANIMAÇÃO: Entenda o Estado Islâmico

O grupo tem atraído milhares de jovens pelo mundo com uma rede de propaganda maciça e vídeos de crueldades e decapitações. O grupo extremista prega o combate ao Ocidente e considera “infiéis” todos aqueles que discordam de sua visão de um islã puro.

Apesar de sunita, corrente majoritária do islã, o EI segue uma leitura radical das escrituras islâmicas. Com uma visão sectária antixiita, seu objetivo é impor a Sharia, a antiga lei islâmica, de forma rígida aos territórios dominados.

O grupo também exige que todos jurem lealdade a seu líder, com pagamento de impostos, cumprimento de suas proibições e interpretação radical da religião islâmica. Quem desobedece é alvo de penas, como torturas, a decapitação e a morte.

O grupo já prometeu “romper as fronteiras” do Líbano e da Jordânia com o objetivo de “libertar a Palestina”, e, para isso, tem pedido apoio de todo o mundo muçulmano. Nos últimos meses, no entanto, devido à resistência curda e aos ataques da coalizão internacional liderada pelos EUA, tem perdido território.

Sua intenção de fundar um Estado Islâmico também culminou em atentados como os de Paris, cidade que a facção considera a “capital do vício e da prostituição”.

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